quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O terror.. os terríveis 19 meses

Ouvi muitas vezes falar nos terríveis dois anos, mas ninguém me tinha contado o que eram os terríveis dezanove meses. O pai está doente desde ontem e viemos outra vez sozinhas para o Porto Alto. Se ontem antes de sairmos de casa (atrasadíssimas) a tarefa de te vestir e de te preparar para ires para a escola foi hercúlea, hoje foi ainda pior. Vieram-me as lágrimas aos olhos e pensei tantas vezes “Porquê Francisca?”, “Porque me fazes isto logo a mim, que te trato tão bem, que te encho de mimos e que também sei dizer que não quando é preciso”, “onde é que eu estou a falhar?”.

Não me lembro de alguma vez, em 19 meses, ter sido fácil trocar-te a fralda. Bom, talvez com 15 dias fosse fácil. Sempre te movimentaste muito nessa altura, fosse em cima do troca-fraldas, da tua ou da minha cama, fosse por não quereres estar deitada, Ok nunca foi fácil.  Mas agora é simplesmente… horrível!


Primeira dificuldade:
Começas por ir para o bacio brincar, logo aí é difícil vestir-te um casaco, mesmo que tenhas saído do quentinho da minha cama e passes para o frio do chão do teu quarto. Aí começa a luta… desisto, ganhaste. Fica no bacio sem casaco que eu fico a roer-me de preocupação que te constipes.

Segunda dificuldade:
Quem é que te tira do bacio agora que estás a brincar com o Jacinto ou a fazer desenhos no quadro magnético? Coloco o iPhone a dar as músicas do Avô Cantigas ou o Ruca, para te por no troca-fraldas. Começas a lutar, já tens força e até magoas, berras ainda mais alto. Aí começa a luta… desisto, ganhaste. Coloco o troca-fraldas no chão junto ao bacio e tento começar a vestir-te e tu lutas cada vez mais, primeiro ignoro, continuas a berrar, depois converso contigo sorrindo sobre como vai ser gira a escola, continuas a berrar, brinco contigo “Onde está o pé da Francisca? Oh oh, não há pé?!”, continuas a berrar, mantenho a calma e respiro fundo, continuas a berrar, “Oh Francisca caramba! Porque estás aos berros?!?!  Qual o problema de te vestir??!!” (começo a freak out!). O pai levanta-se, tenta ajudar-me, apesar de estar cheio de frio e doente. Os berros continuam mas depois de 20m de luta consigo vestir-te.

Vou buscar o iogurte e aí penso que já vai tudo correr bem , não há nada que um iogurte não resolva. A meio do iogurte começas a chorar porque queres mais “Oh Francisca mas ainda vamos a meio, filha, tem calma” e os berros continuam. Começas a ficar irritada e a cuspir o iogurte. “Acabou-se Francisca, não comes o resto do iogurte, nem te vou dar outro, acabou!”, aqui perco mesmo a calma e tenho calçar-te, quando calço um pé descalças o outro……
Saímos de casa uma hora depois de te ter começado a preparar, continuas a chorar e a gritar por um iogurte, até à Vendap (20km) fui sempre a ouvir-te sem poder fazer nada. Cheguei ao trabalho ainda enervada e de rastos.
Ser mãe também é isto.

Será que é sono?

Já decidi, hoje não há televisão. O teu primeiro castigo à séria.
Ao final do dia vou conversar contigo sobre o sucedido, és pequenina mas já me entendes muito bem (bem demais) e vou fazer o jantar mais cedo e vais para a cama às 21h que isto pode ser tudo birra de sono.

E eu também vou para a cama a essa hora, estou de rastos….

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A minha Francisca já é uma menina grande

Já consegues dizer melhor as palavras e tentas corrigir quando a palavra não sai bem à primeira, já consegues gozar connosco com expressões de crescida e sobretudo, já me abraças sem que to peça e não há nada neste mundo que tenha o “sabor” desse abraço. Não há viagens que me encham tanto a alma como a sensação de ser abraçada e acariciada por 80 cm de gente com sorriso maroto.

Ontem o “Gó” passou a chamar-se “Jorge”, a “Zi” passou a ser a “Xuzi”. O “obrigado” passou a ser uma palavra comum no teu vocabulário e o meu amor por ti continuou a crescer, a crescer, a crescer…

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Fim-de-semana em grande!

No sábado fomos dar um passeio pelo Alto Alentejo contigo. No carro aproveitaste para fazer as tuas sestas e durante o almoço e passeio estiveste sempre bem disposta a comunicar connosco. Provaste pela primeira vez porco preto com migas de espargos e como seria de esperar, adoraste a comida! Especialmente as migas. Depois fomos até Badajoz sentir aquele “calor” do sol de inverno espanhol e ficámos maravilhados com o brilho dos teus olhos a andar sozinha pelas praças de Badajoz. Estás cada vez mais bonita.

Ontem enquanto a mãe arrumava gavetas mostrava-te variados objetos e tu querias brincar com quase todos, quando me devolvias agradecia-te sempre e começaste a achar piada à palavra “Obrigada” e foi assim que nasceu o teu primeiro “Obrigada”.

A Zi (como chamas à Susi) é cada vez mais tua amiga, gostas de passear com ela, de brincar com ela e a par da Bárbara são as nossas amigas que também já fazem parte do teu leque de amigos. Esta tarde fomos até Alcochete tomar um copo e conversar e tu fizeste-nos companhia sempre com uma grande classe, sempre a exigir comida (claro) e  alguma atenção.   

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Tenho a certeza que não vou conseguir tirar uma foto ou vídeo que represente o que tu és com 18 meses. Queria tanto conseguir gravar na minha memória as tuas expressões, o teu jeito de mulherzinha a caminhar pela casa, “dona do seu nariz”, aquela tua maneira de brincares com canetas e papéis, de debitares números. O teu sorriso maroto. Não há nenhuma foto que consiga gravar o teu cheirinho ao acordar, nem nenhum vídeo que me mostre a suavidade do teu pezinho sapudo que eu tanto gosto de mordiscar. 

Será que a avó gostava assim de mim? Bolas!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Contar até sete!

O papá não dormiu em casa a noite passada, ficou no Porto a trabalhar. 
À 1:00 já tinha uma menina a pedir mimo na minha cama, a adormecer enquanto me fazia festinhas na cara. às 5:00 voltaste a acordar à procura do papá na cama. Deixei-te meio a choramingar na creche.

A tua evolução nas últimas duas semanas tem sido assustadora, todos os dias falas mais e melhor, tanto que quase que acredito que nos próximos meses já deverás falar corretamente e eu já nem me vou lembrar das tuas palavras. Ontem falavas de uma colega de infantário chamada Leonor, que nem é da tua sala. Depois e para espanto da avó contaste comigo até sete. Até sete! A soletrar cada sílaba corretamente. Espantoso. Mesmo...

Defendo, como sempre defendi uma infância livre de tensão escolar e de obrigações de aprender a ler e escrever, antes da primária. As crianças devem ser sobretudo crianças, e brincar, brincar muito! E os pais devem resistir à tentação de fabricar pequenos seres que debitam matéria para que todos os amigos vejam como são espertinhos. Prefiro que te conheçam a sorrir, a sorrir muito. A sorrir com os olhos. Do que te vejam a contar até 50 com 2 anos. 
Mas apesar de tudo isto que defendo, não posso deixar de me surpreender (e de ficar com orgulho) quando te ouço a dizer tão bem os números.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Hoje escrevo para mim. Para me lembrar daqui a uns anos que não há maior prazer do que te dar um abraço pela manhã e sentir o teu cheiro. Para me lembrar que o teu sorriso me enche tanto a alma que transborda de amor. Para me lembrar, doce Kiki, que em tantos momentos que brincamos juntas, desejo que o tempo pare.

Para me lembrar que tu és, sem dúvida, a melhor viagem que alguma vez irei fazer.


Te quiero un montón.

sábado, 1 de novembro de 2014

O dia em que descobrimos que sabias dizer “dois” e “tês”…. E “seis”… e “sété”

Já tinha reparado na semana anterior que cada vez que te perguntava quantos anos tinhas respondias “dô”, quase que em jeito de gozo. E quanto mais te perguntávamos isso mais gosto tinhas em afirmar que tinhas dois anos.
Resolvemos então filmar o momento.
E à pergunta «Quantos anos tens?», respondes “dô” a rir… em seguida esforçaste mais e dizes “doisss” (com ênfase no “is”), insistimos «não, não a Kiki tem “um”» e dizes “tês”. Começamos a rir, a rir muito e dizes “sem espinhas” “seiis”, quando já não conseguimos para de rir dizes com pronúncia castellana “sété”.

Até agora este é o melhor vídeo de sempre.

Kiki… 17 meses… a dizer, imagine-se... números!