terça-feira, 5 de maio de 2015

The terrible 23 months

E sobre o que é que vamos falar hoje Francisquinha? Sobre as tuas BIRRAS!

Tenho receio de clicar na tag "Birras" e ler coisas de meses anteriores do tipo «ah e tal isto é só uma fase que está quase a passar» e concluir que já escrevi isso dezenas de vezes e elas (as birras) tendem a piorar.
«Onde é que eu errei?» Esta é a questão que mais se coloca. Seguindo a teoria do avô que os problemas estão sempre nos pais e não nos filhos eu pergunto: «Onde é que eu errei?». 

Ontem foi mais um daqueles famosos dias em que houve birra à saída da escola. Começou, é claro, com a saída da sala do infantário «Pa caja não!!!» Repetias tu vezes e vezes sem conta assim que entrei na sala. Esperei. Deixei que corresses, brincasse, chamasses a atenção e depois forcei a coisa. Agarrei-te e disse de uma forma calma: «Anda lá, vamos aos baloiços e ao escorrega»
- Não!! - disseste logo tu - PA CAJA NÃO!

Respira fundo....1...2...3... « Filha não sejas assim para a mamã, vamos brincar as duas»
(Neste momento já te tinhas apercebido que quem dominava eras tu)

Resolveste deitar-te no chão da entrada do infantário aos berros, ao ponto da Cláudia te pegar ao colo (como é óbvio foste para o colo dela sem reclamar, quando eu nem sequer te podia pegar). Mas as lágrimas não paravam «Pa caja não!!!»

A Cláudia lá te disse para ires comigo que estavam muitos meninos a brincar na rua e que podíamos ir à procura deles e lá cedeste, foste comigo até ao carro e quando o avistaste: «Carro NÃO!». Tentei esperar que te acalmasses enquanto o teu corpo mais rijo que uma prancha não me deixava colocar-te na cadeira. Passaram 10m... os teus berros ouviam-se no bairro inteiro. Mães e pais saiam felizes do infantário com os seus filhos ao colo e assistiam ao teu show com um sorriso "isso tá difícil hoje" e eu sorria também e depois olhava para ti tão zangada  que me apetecia berrar. Houve até alturas que cometi a loucura de ceder aos meus nervos e dizer-te que já me estava a passar contigo! (Amanhã tenho a Segurança Social à porta de casa) Depois contava novamente até 10.
O tempo passava.
Já estávamos quase há 20m tu aos berros eu num processo estranho entre a loucura e o querer controlar os nervos e ser a mãe perfeita. Cedi e tentei todo o tipo de negociações. «A mãe dá-te um bocadinho de queijo quando chegarmos a casa»; «Vamos aos baloiços»; «Vamos ver o cão», «Vamos ao parque», «A mamã leva-te aos Legos». Nada! Os berros continuavam.
O tempo passava.
Foi precisa alguma força e muita paciência para te conseguir finalmente prender no carro 30m depois de termos saído do infantário. 
Dou à chave e começas:
- Colha Mãe! (colo da mãe)
- Lado Mãe! (vem para o meu lado mãe)
- Carro Não!

E assim foi durante 37km.

Dizem os entendidos que estas são algumas técnicas para superar as birras:
1) Ignorar a birra, desvalorizá-la, não ligar "puto" ao que se está a passar.
Isto é muito bonito em casa... e na rua junto a uma estrada? Deixo-te sozinha a chorar no chão? Ignoro a birra e vou cumprimentar os outros pais que saem alegremente do infantário com os seus filhos bem comportados? 

2) Não ceder, não negociar, ser firme
Tento ser firme, quando digo que não vais ver o Ruca, não vês e ponto final. Mas não negociar? Ui... se não negociar, não consigo nada de ti. 
(estás a ver... esse é que foi o erro... negociaste uma vez e agora ela faz de ti o que quer, é o que estão a pensar não é). Ao fim de 30m de gritaria acreditem já estamos dispostos a oferecer uma tarde num baloiço em frente a uma tv que está a passar o Ruca com um iogurte numa mão e um pedaço de queijo na outra.

3) Distrair a criança com outra coisa
Quando nos ouvem, esta deve resultar. Mas quando a única coisa na qual estão concentrados é na sua própria voz, como conseguimos que nos oiçam? Por muito que tente falar contigo, se estiveres a gritar a ultima coisa que queres fazer é escutar-me. 
Quando estás numa valente birra, nada te distrai.

4) Voltar a dar atenção e falar calmamente quando tudo terminar
Este é talvez o único ponto que eu consigo cumprir com algum sucesso. Quando a birra termina, apesar de me arriscar a que a mesma regresse gosto sempre de falar contigo sobre o assunto e de te explicar como me sinto triste com a tua atitude. Trocamos muitos mimos depois de ires para o castigo (atenção o castigo nesta fase é apenas dizer "vai para o quarto de castigo", encaras isto como se fosse a pior coisa do mundo). Dizes-me muitas vezes «Excupa mãe»; «Gota da mãe» e eu tento não me derreter muito.

Estou longe de ser a mãe perfeita (irrita-me aquela mãe do Ruca!!!), mas quero ser melhor para ti todos os dias. E isso passa por educar-te.

Vou tentar descobrir a causa destas birras, prometo. Mas e se for apenas feitio.... isso existe?

terça-feira, 28 de abril de 2015

Kiki no seu melhor #5 e #6

Hoje ficámos as duas em casa. Ontem ao chegar a casa apercebi-me que tinhas a testa quente e fui medir a febre e disse-te: "A Kiki tem febre".
Depois de jantar quando os avós nos vieram visitar, disseste à Avó: "A Kika tem febre".
Entretanto hoje já repetiste a proeza e disseste que tinhas febre "aqui" (apontando para a axila).

Não houve qualquer outro sintoma e desde outubro que não tinhas uma pontinha de febre, resta-nos esperar que a febre se vá embora.


Hoje fui buscar um banco/degrau para procurar uma coisa num armário que está alto e perguntaste-me se era um banco e eu disse-te a razão pela qual o estava a utilizar e acrescentei "Sabes que a mãe é pequenina".
Ao final do dia enquanto arrumava a cozinha e o tal banco olhaste para mim e disseste: "-A mãe é pequenina."

quarta-feira, 22 de abril de 2015

"Um cadinho Ruca"

Cada vez que aqui venho, penso na quantidade de situações que gostaria de ter registado e que pelo facto da vida andar tão depressa não registei… Detalhes do teu crescimento e evolução que nos espantam diariamente. Somos cada vez mais brindados com comentários positivos acerca da tua maneira de ser desenrascada, conversadora e com bastante senso de humor. 
Há palavras novas todos os dias, é um facto.
Sei que hoje utilizaste a palavra “mostra” pela primeira vez: Leva Jacinto "mosta" "Liana"“Mãe leva o Jacinto para mostrar à Liliana” (a Liliana é a educadora da sala dos bebés e é ela quem te recebe todos os dias no infantário)
A palavra “Leva” também é recente no teu vocabulário, apareceu no final da semana passada quando quiseste levar um carrinho vermelho para o infantário.

Estás deliciosa Kiki, só apetece encher-te de beijos.


Ainda assim as birras são uma constante…. Baaahhhh se houve alturas em que me dizias que vias “UM Ruca mãe!” E cumprias o prometido, acenando logo em seguida para o pai “Adeus pai” e caminhando para a cama para ires dormir; agora dizes “Um cadinho Ruca, mãe” e esse bocadinho só termina quando eu decido e tu ficas a chorar pelo Ruca até adormecer.

domingo, 19 de abril de 2015

Kiki no seu melhor #4

Quando nós achamos que ainda temos um bebé e...

Fomos ao Parque contigo para andares no baloiço e em seguida fomos ver o pavão, como tu tanto gostas.


A caminho do pavão a mãe disse-te:
- Olha filhota um piu-piu!

Ao que tu respondeste:
- Não mãe, é um "merro" (melro)
...
...
...

A sério Francisca?

terça-feira, 7 de abril de 2015

Viajar é ser feliz!

Haverá vida depois de Nova Iorque?
Desde sexta que as seguintes questões não me sai da mente: “como eram os meus dias antes de começar a organizar a viagem aos EUA?”; “Para além de brincar contigo, que outras coisas fazia eu que me davam gozo”.
É que de repente (se é que tenho o direito de me sentir assim com alguém tão precioso na minha vida como tu) comecei a sentir-me vazia. Viajar é magnífico Francisca.

Viver junto dos que amamos é ainda melhor meu amor.

E viajar com aqueles que amamos é ser feliz. 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Dia 10 - Adeus Times Square, adeus Central Park, adeus esquilos...

Este dia tinha que chegar. 
Tudo o que é bom acaba depressa. 
Too good to be true é tudo o que me cumpre dizer acerca de New York City.

Goodbye Times Square!

Acabámos de tomar o nosso último pequeno almoço no hotel (que normalmente era composto por cereais, bagels, torradas, etc.) e fomos fazer uma última vistoria ao nosso quarto. Arrumámos os nécessaires, olhámos pela janela uma última vez, respirei fundo... Para ti era apenas mais um dia de passeio mas a mamã já tinha aquele nó na garganta típico do último dia de férias. 
Deixámos as malas no Hotel enquanto fomos dar um último passeio por Manhattan, era obrigatório dizer um último adeus ao Central Park e aos teus amigos esquilos, deambular pela 5ª Av. olhando para o trânsito em tons de amarelo, atravessar Times Square e pensar que aquela não seria a última vez que nos cruzávamos e beber um Moccha quentinho do Starbucks (que já existe em todos os países, mas aqui é outra coisa).



No Central Park subimos a uma montanha de neve que se tinha acumulado e tirámos umas últimas fotos, olhei para o edifício Chrysler uma última vez, olhei dezenas de vezes para o Empire como se quisesse muito gravar aquele momento na memória. Comemos numa roulotte de rua (finalmente!), daquelas que estavam sempre sobre-lotadas de pessoal de gravata e regressámos a Queens para a épica aventura que seria atravessar NYC uma vez mais com malas, mochilas, sacos, um carrinho de bebé, uma bebé muito determinada e um Nenuco que por ser mais família que brinquedo não podia ir dentro de qualquer um dos sacos. 
O Jacinto também se despediu de Central Park

Tal como já tinha pensado deixei pendurado numa rua de Queens o meu casaco verde de Inverno, o "vai a todas", um casaco já muito velhinho que me acompanhou em tantas aventuras, mas que naquele momento só ocupava espaço. Senti um aperto no coração e passaram-me imagens de todos os sítios onde fomos "juntos": Paris, Istambul, Sevilla e agora também algumas cidades dos EUA. 

Tu Francisquinha colaboraste com a nossa ida para a Penn Station, apesar de no metro ires o caminho inteiro a dizer que querias sair do carrinho. Da Macy's à estação de comboios andámos a pé, com todo aquele arsenal de coisas e depois de alguma confusão para encontrar a linha do comboio subimos e descemos escadas com "tudo às costas". Na viagem de Manhattan a Queens o nó na garganta que trazia comigo obrigou-me várias vezes a conter as lágrimas enquanto olhava pela janela para o skyline mais lindo do mundo. Felizmente ias insistindo para sair do carrinho e eu por entre discussões, Rucas e jogos no tablet ia-me esquecendo que estávamos a caminho de casa.

Um dos autocarros que vimos nos EUA (e que tu tanto gostaste!)
Cada vez que nos cruzávamos com um autocarro começavas a cantar: 
"E a porta abre e fecha, abre e fecha, abre e fecha... no autocaaaarro!"

Correu tudo bem no aeroporto, o avião foi pontual e a viagem para casa correu muito bem. No final houve até alguns americanos que vieram comentar connosco que tínhamos uma menina muito linda e que nem tinham reparado que ia ali um bebé, porque ao contrário dos outros bebés que foram a chorar quase 6 horas, tu não incomodaste ninguém.

A viagem no seu todo correu muito bem, chegámos antes das 7h do dia 2 a Lisboa. Não me arrependo nada de termos ido os três para tão longe. Apesar das birras, cansaço e mau tempo no penúltimo dia levamos no nosso coração a experiência de ter conhecido contigo lugares incríveis e uma cidade que nos enche completamente as medidas. Se é verdade que a nossa felicidade se transmite aos nossos filhos, então sinto que cumpri em pleno o meu papel de mãe, porque ali no centro do mundo fui feliz contigo e com o pai. E é assim que as viagens fazem sentido, em pleno.

EM DESENVOLVIMENTO

FÉRIAS nos EUA......

Estou a acabar de recolher memórias para te contar, Kiki.... preciso de uns dias :)