terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O que são 30 meses de ti?

- Dizes tantas palavras, que chegas a usar dois sinónimos para a mesma coisa.
- Quando te perguntamos onde queres ir às vezes surpreendes-me e respondes Nova Ióqui, Sivilha ou Itália.
- Sabes que é no aeroporto que se apanham aviões
- Sabes cantar as “Rodas do Autocarro” e também trauteias “The Wheels on the Bus”
- Sabes o ínicio da música do alfabeto, porque ouviste esta semana no Ruca e ficou-te na memória.
- És uma jukebox de músicas infantis.
- Fazes birras quando tens sono, mas também quando não tens. Basicamente fazes birras por dois motivos: tudo e nada.
- Gostas mais de peixe do que de carne, mas continuas a A-DO-RAR comer.~
- Já ligas a chocolates, apesar de há minha frente apenas teres comido três vezes.
- Pedes autorização para fazer coisas: “Podi bincar com isto?”, “Podi ir para o quarto?”
- Continuas a não gostar de ir para o banho, mas quando lá estás é maravilhoso.
- Continuas a não gostar de vestir a roupa de manhã e normalmente temos que te dar sempre a volta com algum truque.
- Adoras brincar com a casa da porquinha Peppa, com plasticina, com legos e com os nenucos como se fosses a mãe deles.
- Não usas fraldas durante o dia desde que fizeste 2 anos e deixaste as fraldas à noite aos 2 anos e 5 meses (apesar de as fraldas estarem quase sempre secas à noite, durante os últimos meses)
- És agressiva quando contrariada, especialmente se estiveres sozinha comigo.
- Dizes que bates aos amigos na escola e vais para o castigo, mas continuas a ser uma menina impecável que se porta sempre bem na escola. (Já não se pode dizer o mesmo do teu comportamento em casa)
- Quando falas no Natal, por vezes dizes que não vais receber prendas porque te portas mal.
- Sempre que dão anúncios de brinquedos na televisão, tu queres sempre todos os Nenucos, bonecos, barbies, legos e jogos. Às vezes como se não bastasse um “Eu quero…”, ainda dizes “Eu ainda não tenho este…” (como se o objetivo fosse ter todos os brinquedos do mundo).
- Na minha opinião tens brinquedos a mais.
- Na minha opinião tens muito mais coisas fantásticas do que pontos a melhorar.

- Esqueço-me muitas vezes que só tens dois anos.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Sexta-feira 13

Não ligo a superstições de sexta-feira 13, não gosto de pensar negativo em nenhuma altura. Mas a noite da última sexta-feira 13 foi uma noite de azar para tantas pessoas que desfrutavam da noite parisiense...
Quero falar-te nisto, porque não sei como vais estar o mundo daqui a alguns anos Francisca. Não sei o que te vou dizer acerca do terrorismo quando fores mais velha. Não sei como te vou proteger. Não sei como te vou explicar o que é que está a acontecer quando tiveres perguntas para me fazer. Por isso escrevo-te quando os sentimentos ainda estão mornos. Preferi fazê-lo hoje.
Tinha-te deixado na casa da avó para jantares por lá, e caso quisesses para dormir, e estava a caminho da pizzaria com o pai quando o telefone do pai recebeu uma mensagem que nos avisava que tinha havido um atentado em Paris. Desde esse momento até irmos dormir ficámos a seguir as notícias. Fiquei a pensar no presente e no futuro e tive medo. Não há raça, nem religião de homens maus, há um fanatismo absurdo que os move. Eles existem Francisca e felizmente são raros.
Estou atenta ao que se passa no mundo e também sabia que os últimos tempos tinham sido atingidos por tantos outros ataques menos mediáticos. Este não é mais importante porque foi em França. É mais mediático e somos obrigados a pensar nele logo assim que ligamos a tv ou a rádio, ou vemos a primeira página de um jornal. É ali ao lado filha! É onde a mamã diz quase todos os meses que não se importava de voltar.

Espero que cresças num mundo um pouco melhor, apesar de me parecer que estamos a caminhar exatamente para o contrário disso. Espero que possas visitar países para onde eu já desisti de viajar e que estes não estejam destruídos pela guerra. Espero que quando estiveres a falar para a tua filha o faças num mundo mais pacífico, mais tolerante e onde a religião ou a raça não são usados como desculpas para ferir outras pessoas.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

É Natal, é Natal (ah espera.... ainda não é...)

O Natal entrou na nossa casa e outubro. Não sei qual o dia.
Até nasceres, ou até ter a minha casa o Natal não me dizia nada, há quem diga que se deve ao facto de fazer anos a 23 de dezembro. Até essa altura tudo me irritava no Natal e me deixava deprimida, as músicas, a árvore, a azáfama nas ruas. Para mim o Natal sempre esteve ligado às crianças e o facto de não ter crianças na família durante muitos anos levou a que a mãe não morresse de amores por esta altura do ano.
Agora é diferente. Imagino sempre a nossa árvore de natal e a tua alegria ao ver os presentes. Imagino os nossos bolinhos de natal feitos em conjunto, o teu sorriso ao ver pela primeira vez a árvore de natal sabendo o seu significado. Digamos que no ano passado achaste tudo muito bonito, mas faltava-te a sabedoria que os 2 anos te trouxeram. Faltava-te desejar muito que o dia 24 chegasse, este ano tens isso tudo e muito mais.
Mas como te ia a dizer, um dia destes, cansada de te ver a pedir tudo aquilo que dá nos intervalos dos desenhos animados disse-te que no natal, se te portasses bem, talvez pudesses receber o comboio do avô da porquinha Peppa, a fábrica de plasticina da porquinha Peppa (aquela que pedes todos os dias), o Nenuco e o berço, a caravana da Barbie, a casa da neve do PinyPon e tantas outras coisas. Para ajudar à festa o mais recente cd do Panda e dos Caricas tem uma música de Natal que, por acaso, é a tua favorita.
Chego a fazer viagens de 37Km com a música em modo repeat. Não é fácil.
Cada vez que portas mal, a chantagem de que o pai natal pode estar a ver e a não gostar das tuas atitudes tem resultado. Por enquanto…
Resumindo: estás desejosa que chegue o Natal!

Como o pai vai para o Peru na próxima semana, pela primeira vez em 31 anos vou montar a árvore de Natal antes de dezembro, para que o possamos fazer os 3.
E viva o Natal!

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Má educação? Muito mimo?

Não é difícil ser tua mãe Francisca. Todos os desafios que me dás diariamente não têm, a meu ver, qualquer problema. Respondes-me torto quer estejamos ou não acompanhados, bates-me e chegas até a magoar-me, fazes birras sem razão aparente e dizes que não só para ser do contra. Má educação? Talvez seja aquilo que os outros pensam quando ouvem ou vêem na primeira pessoa estas histórias. Muito mimo? Todo aquele que te consigo dar sem nenhum pingo de arrependimento. Para além destes “desafios” não me dás, nem deste noites sem dormir, estás sempre disposta a comer seja que tipo de alimento for, tens uma enorme auto-estima, és perspicaz, auto-confiante. Sabes falar desde muito cedo e questionas tudo e todos. Desde os dois anos que não usas fraldas e utilizaste-as apenas para fazer xixi depois dos 10 meses. Estás (quase) sempre a sorrir e a cantar. És feliz. Má educação? Don't think so.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O antónimo de fácil

Tenho vindo a reparar que nos últimos dias, sempre que tentas fazer algo mais complicado, já substituíste o “na conxégui” pela expressão sofrida “é muito faxil… na conxégui”. Em todas essas vezes explico-te o que significa fácil e difícil. Repetes logo a frase “é muito difíxil”, mas passados uns dias voltas a dizer o mesmo.

Ontem estavas a jogar lego (no tablet) e não estavas a conseguir passar o nível lá disseste: “Mamã, na conxegui, é muito fácil”.

domingo, 25 de outubro de 2015

A primeira ausência do pai

O pai foi para Lima, capital do Peru, no voo das 7:45 da Iberia. Ficaste esta noite com os avós para que não te incomodássemos ao acordar antes das 5:00. 
Os sintomas nestes casos são comuns a todos aqueles que passam pelo mesmo. Há uma fase de negação que acontece nos dias que antecedem as últimas 24 horas, onde achamos que não nos vamos emocionar, que não vai custar nada, que “oh por amor de Deus, são só duas semanas”, uma fase que “não mata mas mói” nas últimas 22 horas que estamos juntos. E uma fase que pode durar mais que isso, mas que por norma ocorre 2 horas antes do voo e que tem um pico quando se deixa alguém perto da entrada para as portas de embarque. Aí já não se contêm as lágrimas Francisca. Aí já se tem saudades de quem se ama. As saudades começaram ontem à noite… ainda o papá dormia ao meu lado. As saudades começam sempre antes da partida.
Vai passar rápido meu amor, duas semanas a pintar com “águas amarelas” e a moldar plasticina passam a voar. Mas custa. Custa-me não partilhar as tuas histórias ao vivo com o pai. Custa-me não nos ouvir a rir aos três ao mesmo tempo. Mas passa. E passa depressa. E vai passar depressa.


(Enquanto escrevia este post o Sporting marcou o 3.º golo no Estádio da Luz, quero berrar “Golo” mas não te quero acordar… vou aguentar-me)

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Ai, ai digo eu!

Isto passou-se ontem à noite...

Eu:
- Ai, ai Francisca.

- Ai, ai digo eu! - respondeste-me tu.