sexta-feira, 5 de junho de 2015

Adeus avó Miquinha

Não sei que ideia irás ter um dia que te perguntarem se te lembras da avó Miquinha.
Não sei que recordações tenho dos meus dois anos.
Talvez te lembres que a vias sempre deitada numa cama e pouco mais que isso.

A avó Miquinha era a melhor pessoa que possa imaginar. Não havia ninguem como ela e duvido mesmo que exista alguém tão altruísta. Tão altruísta e preocupada com os outros que às vezes parece que o avô Eduardo era verdadeiramente seu filho. A avó Miquinha dizia que gostava muito de ti a toda a gente e a nós, cada vez que a visitámos. Dizia que eras linda, que eu era linda, que o pai era lindo. Que toda a gente que a rodeia era muito bonita.

A avó Miquinha estava deitada numa cama desde outubro do ano passado, mas já há muito tempo que sofre. Que estava farta de ter dores. 

A avó Miquinha cheirava a vinagre, porque apesar de dizer que não tinhas forças para viver, preocupava-se sempre com o seu aspeto e com a sua falta de cabelo. E penso que acreditou até ao seu último dia que o vinagre fortalecia o cabelo.

A avó Miquinha dizia "Tadinha dela" quando olhava para ti cheia de amor, da mesma forma que o fazia há mais de 20 anos atrás comigo.

A avó Miquinha tinha 91 anos de muita preocupação pelos outros, de sorriso meigo e lengas-lengas  acerca da vida e da morte. 

Já não podemos visitar a avó Miquinha aos fins de semana, mas podemos recordar o seu sorriso, o seu cheiro  e podemos ser melhor para os outros da mesma forma como ela era. Essa é a nossa maior homenagem.

Adeus avó Miquinha.


(a tua avó deixou-nos no dia 3 de junho a meio da tarde, no Hospital do Barreiro, onde estava internada já há uns dias. Momento antes o avô Costa tinha ido visitá-la e pensamos que depois desse momento ela descansou. O avô Eduardo não acreditava que avó sobrevivesse àquele dia, mas eu achei que sim e disse-lhe para levar uma foto dos teus anos. A avó não a chegou a ver.)

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