Não sei que ideia irás ter um dia que te perguntarem se te lembras da avó Miquinha.
Não sei que recordações tenho dos meus dois anos.
Talvez te lembres que a vias sempre deitada numa cama e pouco mais que isso.
A avó Miquinha era a melhor pessoa que possa imaginar. Não havia ninguem como ela e duvido mesmo que exista alguém tão altruísta. Tão altruísta e preocupada com os outros que às vezes parece que o avô Eduardo era verdadeiramente seu filho. A avó Miquinha dizia que gostava muito de ti a toda a gente e a nós, cada vez que a visitámos. Dizia que eras linda, que eu era linda, que o pai era lindo. Que toda a gente que a rodeia era muito bonita.
A avó Miquinha estava deitada numa cama desde outubro do ano passado, mas já há muito tempo que sofre. Que estava farta de ter dores.
A avó Miquinha cheirava a vinagre, porque apesar de dizer que não tinhas forças para viver, preocupava-se sempre com o seu aspeto e com a sua falta de cabelo. E penso que acreditou até ao seu último dia que o vinagre fortalecia o cabelo.
A avó Miquinha dizia "Tadinha dela" quando olhava para ti cheia de amor, da mesma forma que o fazia há mais de 20 anos atrás comigo.
A avó Miquinha tinha 91 anos de muita preocupação pelos outros, de sorriso meigo e lengas-lengas acerca da vida e da morte.
Já não podemos visitar a avó Miquinha aos fins de semana, mas podemos recordar o seu sorriso, o seu cheiro e podemos ser melhor para os outros da mesma forma como ela era. Essa é a nossa maior homenagem.
Adeus avó Miquinha.
(a tua avó deixou-nos no dia 3 de junho a meio da tarde, no Hospital do Barreiro, onde estava internada já há uns dias. Momento antes o avô Costa tinha ido visitá-la e pensamos que depois desse momento ela descansou. O avô Eduardo não acreditava que avó sobrevivesse àquele dia, mas eu achei que sim e disse-lhe para levar uma foto dos teus anos. A avó não a chegou a ver.)
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