Nos últimos dias não tens estado bem, não sei se se pode
dizer que estás doente. Tiveste, na semana que passou, febre durante a noite que
com o amanhecer passava sem recurso a antipiréticos. Mas tens estado mais
carente e mais sonolenta. Apesar de tudo ontem passámos uma manhã fantástica às
compras no supermercado. A tua boa disposição e os carinhos que trocas comigo
compensam qualquer período de birras que tenhas passado há umas semanas ou os
que ainda iremos passar.
Ontem adormeci-te com muita dificuldade, não tinhas sono,
mas querias estar deitada e se possível comigo ao lado. Quando finalmente te
consegui deixar sozinha na cama a dormir, passados poucos minutos ouvi-te a
choramingar e fui até ao quarto, e quando pensava que me ias pedir para vir
dormir para a minha cama disseste: - Mãe eu pexijo do pai! (“Mãe, eu preciso do
pai”)
Não tenho palavras para comentar isto. Não demonstras umas
saudades imensas do pai, nem queres falar com ele no telefone, mas as tuas
atitudes e a tua carência de afetos, às vezes traduzem-se nestas frases, que me
derrubam.
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